historia infantis

A FÁBRICA DA LARANJA

 

Marlene B. Cerviglieri

 

C

 

  

 

– É tão bonito de se ver, tanto quanto um vaso de flores.

– O quê, mamãe?

– Uma cesta cheia de frutas.

– Frutas, mamãe?

– É isso mesmo.

– Vou te contar uma estória sobre frutas.

– Uma vez havia uma fruteira cheia de frutas na sala de minha avó. Eram tão lindas que eu imaginei que elas conversavam. Encostei minha cabeça na mesa para ouvir a conversa. Sabe o que estava acontecendo? Elas estavam brigando…

– Brigando mamãe?

– Sim, meu filho, brigando.

– Dizia a banana para o mamão:

– Você está vermelho demais, é de vergonha eu creio.

– Nada disso – respondeu ele – pensa que não vi! você está cheia de pêlos e muito branquinha, por isso tem inveja de mim porque eu sou corado.

– Você não sabe nada… – respondeu a banana – não tenho pêlos seu bobinho, são as proteções para minha polpa.

Enquanto isso a pêra empurrava o abacaxi reclamando:

– Chega pra lá, você está arranhando a minha pele macia e delicada.

– Cala a boca, sua chata. – respondeu o abacaxi – você é que quer ficar grudadinha em mim só para sentir o meu perfume gostoso. Vamos, fala a verdade!

A pêra se afastou amuada. A ameixa reclamou da grosseria do abacaxi. A maçã foi logo se afastando para não entrar na confusão. O melão discutia com o cacho de uva que dizia:

– Vou falar com a dona da fruteira. Ela precisa separar as frutas. Estas frutas espinhosas – olhou para o abacaxi – têm de ficar com as de cascas duras amarelas – e olhou para o melão. Senão as frutas delicadas como o mamão, a dona pêra, a dona maçã serão esmagadas.

E assim continuaram a brigar, sem perceber a tristeza da laranja encostadinha neles. Pensava a laranja:

– Ninguém gosta de mim. Sempre escolhem a banana, o mamão e a dona maça. Não devo ter graça nenhuma.

Nesse momento entraram na sala de jantar, minha vovó, meu irmãozinho menor e o teu tio Pedro.

Sentaram-se ao meu lado sem se importar comigo ali deitada fingindo que dormia.

– Veja Pedro, – disse pegando a laranja na mão, – Esta é uma laranja. Quando você a pega na mão, assim, parece que não tem nada, não é mesmo?

– Suco vovó.

– Não meu querido, não é só isso. Veja o que a vovó vai fazer com uma laranja

Pegou a laranja e cuidadosamente tirou a casca. Depois tirou gomo por gomo e colocou no pratinho.

– Veja Pedro vou mostrar a você a fábrica de garrafinhas que a laranja tem.

– Fábrica de garrafinhas?

– Isso mesmo, veja.

Com cuidado tirou a pele do gomo e foi tirando as garrafinhas cheias de suco.

– Que coisa bonita vovó?

– E agora vamos à casca. Vamos parti-la em tirinhas deixa-las de molho e mais tarde farei tirinhas de casca de laranja açucaradas.

– Puxa! quanta coisa não é vovó?

– Ali, fingindo que dormia, meu filho, aprendi muito. Às vezes você está no meio de tantos e se sente nada. Mas sempre há alguém que vem e mostra a você o seu valor chegando ao seu coração.

– Como a laranja mamãe?

– Isso mesmo, filho.

– Sabe meu querido, devemos comer de todas as frutas. É claro que há alguma que o seu corpinho não aceita.

– É, eu sei, por causa da alergia não é mesmo?

– Isso meu querido.

– Sabe mamãe, lá na escola vamos fazer uma salada de frutas. Vou aproveitar para contar a estória para eles.

Na fruteira a laranja estava feliz.

– Puxa não sabia que eu tinha uma fabriquinha dentro de mim…

E agora amiguinhos, vamos comer frutas?    

 

 

fonte:http://www.contos.poesias.nom.br/afabricadelaranja/afabricadelaranja.htm

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